'Bora de bomba?': delegada de Pernambuco expõe autoridades nas redes sociais

JUSTIÇA PRA TODOS | ENTREVISTA

‘Existem inúmeros casos de perseguição, eu sou apenas uma vítima que resolveu gritar’

'Justiça pra Todos' entrevista Natasha Dolci

Natasha Dolci, delegada de polícia (foto: Diário de Pernambuco)

Manoel Almeida*
26 de agosto/2025
 

Natural de Goiás, NATASHA DOLCI começou a carreira como delegada titular em 2018, em Pernambuco. No ano seguinte, ainda no estágio probatório, começou a ser assediada sexualmente pelo seu chefe imediato, também delegado (posteriormente promovido a diretor). De acordo com NATASHA, a Corregedoria ignorou as denúncias de assédio e as provas apresentadas.

Como NATASHA não cedeu às pressões, o assédio sexual evoluiu rapidamente para assédio moral, que se tornou cada vez mais ostensivo e praticado também por outros delegados. “Fiquei um ano afastada, de licença psiquiátrica, devido às perseguições”, declarou NATASHA, em entrevista ao 'Justiça pra Todos'.

O caso de NATASHA segue um roteiro muito semelhante ao do TRIBUNAL DO CRIME, denunciado aqui no JpT. Um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) foi aberto contra a delegada com base em acusações do gestor/assediador, resultando em suspensão. Depois dessas acusações, vieram outras contra a delegada, que então decidiu expor os assediadores em sua conta no INSTAGRAM.

Logo veio sua demissão, assinada no mês passado pelo Secretário de Defesa Social, ALESSANDRO CARVALHO LIBERATO. Mas, para ter efeito, ainda precisa ser homologada pela governadora, RAQUEL LYRA. A seguir, a conversa com a delegada.

 

JpT- A doutora foi vítima de assédio no trabalho e depois que fez as denúncias os problemas só aumentaram, correto? 

Natasha- Sim. Entrei na polícia em 2018, fui delegada em Quixaba, Cabo de Santo Agostinho (onde passei um ano e onde começou meu inferno), depois fui transferida inúmeras vezes (sendo catorze no curto prazo de dois anos). Passei por Cavaleiro, Homicídios de Igarassu, Homicídios de Olinda, Homicídios do Ibura, Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, Prazeres, entre outras. Hoje estou lotada no Plantão do Menor Infrator [na capital, Recife].

JpT- Que tipo de assédio a doutora sofreu e por parte de quem?

Natasha- Assédio sexual e moral por delegados do alto escalão. Os nomes são sempre divulgados no meu Instagram. As denúncias foram formalizadas na Corregedoria e sempre foram engavetadas. Existem inúmeros casos de perseguição, que terminam com pedidos de exoneração e em suicídio, como ocorreu ano passado com um Comissário. Eu sou apenas uma vítima que resolveu gritar.

JpT- Além da Corregedoria, quais órgãos a doutora acionou e o que alegaram para arquivar os pedidos?

Natasha- Procurei o MP (Ministério Público) pessoalmente. Informaram que o meu caso se enquadrava no "controle interno da atividade policial” e eles possuem apenas o "controle externo". Já a Corregedoria não arquivava, e muito menos fazia alguma fundamentação, apenas “engavetava” [não abria nenhum procedimento]. 

JpT- Qual a sua situação profissional hoje? Encontra-se afastada das suas atividades, aguardando seu desligamento definitivo?

Natasha- Estou em exercício. Apenas o pedido de demissão foi formalizado pela SDS (Secretaria de Defesa Social), mas somente a governadora pode concretizar a demissão. Até lá, trabalho normalmente.

JpT- A doutora expôs seu caso publicamente devido a alguma situação específica?

Natasha- Eu fiquei um ano afastada de licença psiquiátrica devido às perseguições. Quando retornei, pedi pra ser lotada em Fernando de Noronha para ficar longe da cúpula (pedi internamente e solicitei ajuda pra muitas pessoas), até porque quem mais me perseguiu hoje é atual subchefe da polícia. Após isso, me imputaram falsamente crime de corrupção, foi quando decidi expor tudo que estava acontecendo. Mexeram no meu maior patrimônio. Minha imagem vale mais que qualquer cargo.

JpT- Quais as acusações feitas contra a doutora?

Natasha- Todas as acusações são por “causar escândalo”. A corrupção restou provado que nunca existiu, o inquérito foi arquivado (e não foi por falta de provas, mas por estar PROVADO que não existia crime).

JpT- A doutora responde a algum processo na esfera cível ou criminal, ou somente PADs?

Natasha- Sim. Respondo a quatro processos cíveis. Um deles devido a um vídeo em que critico o fato de ter sido divulgado um áudio denunciando corrupção, e a denunciante ser indiciada por calúnia, sem nunca investigarem a corrupção; nesse, fui absurdamente condenada sem sequer citar o nome do delegado e sequer apontar a veracidade das denúncias, mas apenas cobrar INVESTIGAÇÕES. Os outros três são de gestores que citei o nome em redes sociais e foram responsáveis pela maioria dos assédios e perseguições que sofri. Há ainda um processo criminal, em que fui denunciada por difamação contra a Polícia Civil de Pernambuco. Mais uma vez, o denunciante sendo tratado como culpado.

JpT- A doutora acionou a Justiça Comum para providências?

Natasha- Sim. Mas dificilmente ganhamos processos contra o governo, quando não ficam engavetados por anos.

JpT- A doutora recebeu apoio de algum órgão ou de alguma autoridade?

Natasha- Não.

JpT- A doutora sofreu alguma ameaça em razão das denúncias?

Natasha- Eu, diretamente, não, mas quando estava procurando a mídia e ainda não tinha nenhuma visibilidade, intimidaram meus pais, falaram que ia ficar pior, que eu ia ser presa, que teria busca e apreensão na minha casa etc. Minha mãe ficou apavorada.

JpT- Caso sua demissão seja revertida, a doutora. pretende voltar a exercer o cargo, ou está decidida a começar uma nova vida, em outra profissão, devido aos traumas?

Natasha- Estou decidida a lutar, não só pelo meu cargo, mas também pela segurança pública que PE merece, estado que, eu acredito, tem condições de ser um dos mais seguros do Brasil. Por isso brigo tanto e exponho tantos erros internos da instituição, que refletem na sociedade. Não acredito que algum governo tenha interesse que nosso estado se mantenha como o 3º mais violento do país.


(*) Empresário desde 1997, advogado há  16 anos, atualmente licenciado, jurista, crítico, comunicador e comentarista, pós-graduado em Direito Civil e Direito Processual Civil, ex-servidor público judicial, cursando Tecnologia em Investigação Forense e Perícia Criminal



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