'Até agora, a Justiça só agiu contra mim', diz mãe que luta por punição de estuprador

ENTREVISTA | JUSTIÇA PRA TODOS

Seu sonho era constituir um lar, sem saber que estava levando a filha para um pedófilo

Sirlene Luíza conta um pouco de sua história e fala sobre o sentimento de culpa

Sirlene Luíza Silva

Manoel Almeida*
26 de outubro/2025
 

Um dos melhores dias na vida da patense SIRLENE LUÍZA SILVA (foto) foi quando se descobriu grávida pela primeira vez. Sempre sonhara ser mãe. Estava com 17 anos. Aos 21, mudou-se para Long Branch, estado de Nova Jersey (EUA), com sua filha pequena. Estava noiva de JOÃO PAULO TEIXEIRA, pai da menor, com quem ela se casaria. 

Anos depois, na adolescência, a filha relatou que o pai a molestava. A mãe ficou sem chão, não quis acreditar. Até então, esse foi o pior momento da vida dela, ainda por saber a extensão dos abusos. A dor não desaparecia, e ela precisava encarar o fato diariamente.

Sufocada, e sem uma solução à vista pelos meios oficiais, ela compartilhou sua dor em seus perfis na rede, no início do ano. Denunciou o abusador e repostou denúncias do CANAL DO NÉLIO sobre o caso. 

Tanto o abusador quanto o CORAÇÃO MATERNO, um dos colégios onde JOÃO PAULO lecionou, acionaram a Justiça,  reputando as postagens como ofensivas. Recentemente, o Tribunal de Justiça de Minas mandou a plataforma apagar as denúncias. Leia o depoimento concedido neste fim de semana ao JUSTIÇA PRA TODOS.

 

JpT- Depois que você se expôs nas redes sociais e denunciou o JOÃO PAULO, surgiram comentários de que você estava agindo dessa maneira porque não aceitou o divórcio e, para se vingar do ex, inventou essa história. O que tem a dizer sobre isso? 

Sirlene- Como eu gostaria que fosse mentira mesmo! Ninguém sabe como é doloroso pra mim. Saber que minha filha, uma criança inocente, foi abusada pelo próprio pai, debaixo de meus olhos, e eu não perceber. Por mim, podem  pensar o que quiser. Tenho como provar. Quem buscou o divórcio fui eu. Quem saiu de casa com três crianças fui eu (porque ele não quis sair). Impôs as condições dele e eu não aceitei.

Então estou em paz com relação a isso. Agora, o que jamais irei superar é ele ter abusado da minha filha. Não tenho palavras pra descrever.

JpT- Você estava grávida de quantos meses quando seu marido se mudou para o exterior? 

Sirlene- Quando eu descobri a gravidez não estávamos casados. A gente tinha dois anos de namoro, estávamos noivos há pouco tempo. Quando ele foi morar no exterior, eu estava grávida de três meses.

 JpT- Então depois que sua filha nasceu, as duas foram para os EUA e você se casou lá, correto? Sua primogênita tinha que idade quando conheceu o pai? 

Sirlene- Fui mais minha filha, quando ela tinha três anos. Ele me ligava sempre de lá, falava em nos casar e formar família.

 JpT- Ele se mostrou feliz com a notícia da gravidez ou ficou indiferente?

Sirlene- De início não, mas depois aceitou de boa. Hoje, relembrando, ele foi bem agressivo quando falei da gravidez. Teve agressão física e psicológica. Na época, eu tinha 17 anos; apaixonada, aceitei tudo. 

  JpT- Na certidão, inicialmente, não constou o nome do pai. Ele não queria registrar a filha no nome dele? Ou foi uma decisão sua? 

Sirlene- Foi uma decisão minha, de início, devido às circunstâncias da época. Eu ouvi muitas coisas de parentes dele em relação à sua paternidade, então eu decidi que seria melhor ela ficar só em meu nome. Quem fez muita questão de pôr o nome dele foram seus pais, depois que viram que ela era bem parecida fisicamente com ele, e devido ser a primeira neta. Os avós sonhavam em ter uma filha. Queriam ver seus nome da certidão dela.

JpT- Você notou mudança de comportamento da filha na época dos fatos, ou somente depois, em retrospecto?

Sirlene- Não notei, eu estava cega. Quando tinha uns oito anos, voltou a fazer xixi na cama. Nem isso me fez ver. Acredito que seja quando os abusos sexuais começaram, vejo assim hoje em dia.

Muitas das vezes eu até a castigava, sem perceber que ela era abusada. E ele sempre achava que os castigos eram "pouco". Ela parou de fazer xixi na cama com dois aninhos e conheceu o pai com três e meio. Relembro vários sinais e situações que me fazem perceber que ela sempre tentou me mostrar que algo estava errado. Ela era uma criança muito apegada a mim e parece que, com o tempo, foi se distanciando. 

JpT- Ela tinha receio de ficar sozinha?

Sirlene- Na verdade, queria ficar sozinha, no mundo dela. Meus três filhos ficavam muito felizes quando ele (pai) não estava presente.  Comigo,  podiam ficar brincando, vendo desenho animado na TV e eu fazia tudo pra eles ficarem bem, pois achava o pai bem rígido.

Conversava muito com eles. Algumas coisas eles poderiam fazer só quando o pai não estivesse por perto. Queria evitar brigas, mas também não queria privar meus filhos de serem criança. Falhei terrivelmente. Nunca vou me perdoar por isso.

JpT- Você acredita que os irmãos também possam ter sofrido algum abuso, ou o tratamento em relação a eles era diferenciado?

Sirlene- Infelizmente, sim. Houve muito abuso psicológico, principalmente com o caçula. Minha filha do meio teve, digamos, diferença de tratamento, mas hoje acredito, com muita dor, que os três sofreram abuso, inclusive sexual. Ele ficava muito tempo com os três pra que eu pudesse trabalhar.

JpT- Foi só quando retornaram para o Brasil que sua filha finalmente abriu o coração pra você. Nessa época, ela já tinha o quê, 14 anos? 

Sirlene- Sim. Aconteceu uma situação e ela finalmente conseguiu dizer. Fiquei em choque. Uma criança, com que tanto sonhei, abusada pelo próprio pai! E fui eu que, sem saber, acabei a levando até ele! Jamais imaginaria que isso fosse acontecer. Só queria construir uma família.

JpT- Quais foram suas primeiras atitudes quando descobriu? Registrou um boletim, pediu o divórcio? Ou levou um tempo pra você assimilar?

Sirlene- Não fiz nada e fui empurrando o casamento. Levei muito tempo para assimilar tudo e aceitar o que tava vivendo. Nunca duvidei dela, mas entrei em transe. Conversei muito com ela, fiz várias perguntas, depois o questionei. Não negou, mas minimizou a situação. Desde então, tudo virou motivo pra brigas em casa. 

JpT- O restante dos familiares souberam de imediato? Os irmãos da Igreja que vocês frequentam souberam do caso? Como a família do seu marido reagiu? Os parentes deram algum suporte pra sua filha ou pra você?

Sirlene- Não, não. Ninguém soube, só depois de quase dois anos, devido a vários julgamentos por parte de parentes do pai, relacionados ao meu distanciamento deles. Até onde eu sei, ninguém a apoiou até hoje. Sequer quiseram ouvi-la, e, quando eu me mostro indignada com a situação, ele ainda tenta me colocar como louca. Sentiu-se fortalecido com o apoio dos familiares. Todos viraram as costas pra mim e meus filhos, e ficaram em defesa dele.

Quanto aos irmãos da Igreja que frequentamos, a grande maioria ficou sabendo quando postei nas redes sociais. Poucos apareceram para me ajudar. A maioria preferiu ficar calada. Na verdade, quase ninguém gosta de se envolver (mesmo muitos achando ele bem estranho em relação ao filhos). No fundo, ninguém se importa. Da família dele só recebi frieza. Farinha do mesmo saco.

JpT- Como JOÃO PAULO reagiu quando você contou que iria se separar?

Sirlene- Ele tentou de diversas maneiras me manipular. Fez algumas ameaças. Como viu que não tinha mais poder sobre mim, ficou "de boa", tipo aceitou.

JpT- Quando vocês moravam juntos, ele demonstrava ter ciúme da filha mais velha, diferente do ciúme que naturalmente se espera da figura paterna, ou um afeto maior, um tratamento preferencial? Era controlador?

Sirlene- Ele tinha controle sobre tudo e sabia disfarçar bem. Ou eu é que não via, sei lá como. A única coisa que percebia é que era bem rígido com todos os filhos.

JpT- E hoje, como é a relação entre os dois, pai e filha?

Sirlene- Nenhum dos filhos se relaciona com ele mais. A única com quem ele ainda tinha contato era com a do meio. Eu acho que agora ele simplesmente está com ódio dela, por não ter aceitado um acordo que ele propôs pra parar de pagar a pensão (é a única para qual ele paga). O filho que, segundo ele, moraria com ele, morou seis meses e foi expulso da casa.

  JpT- Você tem ou já teve esperança de que a justiça será feita?

Sirlene- Já tive. Hoje, não mais. Até agora, a Justiça só agiu contra mim.

LEIA TAMBÉM:

JUIZ CENSURA ALERTAS DE MÃE SOBRE ESTUPRADOR

 
(*) Empresário desde 1997, advogado há 16 anos, atualmente licenciado, jurista, crítico, comunicador e comentarista, pós-graduado em Direito Civil e Direito Processual Civil, ex-servidor público judicial, cursando Tecnologia em Investigação Forense e Perícia Criminal



ARTIGOS ANTERIORES:
TROSTER E MILLER FORAM ACIONADOS NA POLÍCIA FEDERAL EM 2021


EMBRULHANDO O PEIXE

PEDIDO DE CASSAÇÃO 2001/2024

PARECIA FINAL DE COPA 

POR UNANIMIDADE, TJMG CASSA SENTENÇA DE JUIZ QUE NÃO SABE LER

PROSTÍBULO DE MENORES TINHA 'PUXADINHO' NA ASSESSORIA DO JUIZ




PRÓXIMOS ARTIGOS:
JUÍZA PASSA RECIBO DE FARSA DO TJ (Parte II)
FOLHA: RABO PRESO COM O TJ
OS CARRASCOS DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE
O PROMOTOR E A SACOLEIRA
PASSE LIVRE
O JUIZ E O OFFICE BOY


C
ANAL DE DENÚNCIAS:

justicapratodos.denuncias@gmail.com

#justicapratodos #tribunaldocrime #omaiorescandalodahistoriadojudiciario

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

BREAKING NEWS: miniexército montado por juízes de São Gotardo cerca e prende autor do 'Justiça pra Todos'

SÃO GOTARDO: prostíbulo de menores tinha ‘puxadinho’ na Assessoria do juiz

'Bora de bomba?': delegada de Pernambuco expõe autoridades nas redes sociais