CASO MASTER: Galípolo vazou informação da Polícia Federal para Moraes

EXCLUSIVO

Ministro soube antecipadamente da descoberta da fraude; Vorcaro fez as malas em seguida

Moraes e Galípolo admitem conversa, mas negam tratativas sobre o Master

Alexandre de Moraes, ministro do STF

Manoel Almeida*
28 de dezembro/2025
 

Informações sobre uma operação policial em andamento são, naturalmente, sigilosas, a fim de não comprometer seus resultados. Quando o alvo da operação é uma instituição financeira, em vias de liquidação, o sigilo tem um motivo extra: impedir ganhos ilícitos no mercado financeiro pelo uso indevido de informações privilegiadas.

Na investigação que resultou no fechamento do Banco Master, no entanto, dados sensíveis foram compartilhados com o ministro ALEXANDRE DE MORAES (foto). É o que se conclui do que circulou na mídia nos últimos dias.

MORAES admitiu, em nota emitida à noite, pré-véspera do Natal (23), que se encontrou pessoalmente com o presidente do Banco Central (BACEN), GABRIEL GALÍPOLO. Diz a nota que o assunto tratado foi "exclusivamente" sobre a Lei Magnitsky, "em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito".

A autarquia confirmou em outra nota combinada: "O BC confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky".

Fontes do jornal O GLOBO e do ESTADÃO afirmam que, na reunião convocada por MORAES, o ministro teria pedido pra GALÍPOLO dar um jeitinho (palavras minhas) e aprovar a compra do MASTER, e que seu apadrinhado, DANIEL VORCARO, executivo acima de qualquer suspeita, era perseguido pelos concorrentes (leia-se FARIA LIMA) devido às suas práticas de mercado tida por agressivas. O Master estava em processo de aquisição pelo BRB. Só faltava a assinatura de GALÍPOLO.

AH, TÁ! SENDO ASSIM...

GALÍPOLO negou a ajuda, informando a MORAES sobre a fraude bilionária descoberta pela POLÍCIA FEDERAL: R$ 12.2 BILHÕES em papéis sem liquidez comprados pelo BRB, lesando o interesse público (o BRB é estatal). O ex-presidente do BRB é réu, junto com VORCARO.

TAL INFORMAÇÃO, ÀQUELA ALTURA, ERA ALTAMENTE CONFIDENCIAL. O ministro fez que não sabia da situação do MASTER (ou talvez não soubesse de fato) e teria dito que, se confirmado o rombo, a transação não poderia mesmo ser concretizada.

Provavelmente GALÍPOLO não tinha conhecimento da ligação espúria entre o MASTER e o ministro, já que a laranja, DONA VIVI (VIVIANE BARCI), contratada a peso de ouro para "serviços gerais", aparentemente nunca deu as caras no BACEN, apesar de previsão expressa no contrato nesse sentido. Coube ao próprio ministro fazer as tratativas (LOBBY) em defesa dos interesses de seu generoso benfeitor.

Se MORAES não sabia da real situação do MASTER, ficou sabendo ali. Dias depois, VORCARO foi interceptado no aeroporto de Guarulhos. O empreendedor empreenderia fuga de jatinho. Liberado pela Justiça Federal, não há notícia de que se teve o dedinho de DONA VIVI na soltura.

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(*) Empresário desde 1997, advogado há  16 anos, atualmente licenciado, jurista, crítico, comunicador e comentarista, pós-graduado em Direito Civil e Direito Processual Civil, ex-servidor público judicial, cursando Tecnologia em Investigação Forense e Perícia Criminal



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